Minhas Leituras Favoritas de 2018

Minha primeira postagem aqui nesse novo blog. E já que eu decidi começar ele antes do fim do ano, nada mais justo do que começar com uma retrospectiva desse ano que passou, não?

2018 foi o ano que eu voltei a ler pra valer. Li, até o momento de escrita desse texto, 47 livros (pretendo terminar Coração de Aço, do Brandon Sanderson, antes da virada, fechando o ano com 48). “Li” talvez não seja o termo ideal, já que boa parte foi na forma de audiobook – mas se as palavras saíram do cérebro do autor e chegaram no meu, acho que o meio pelo qual elas transitaram não importa, não é mesmo?

Abaixo, deixo algumas palavras sobre as leituras que mais me impactaram. Caso queiram comprar qualquer uma delas, basta clicar nas capas que vocês serão redirecionados para a Amazon; comprando através desse link, você me ajuda a manter de pé os meus trabalhos na internet.

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It – A Coisa (Stephen King)

Esse eu comecei a ler em 2017, mas como é um senhor tijolo de livro, terminei só em 2018. O pontapé inicial para eu lê-lo foi o novo filme – que é excelente – e foi o livro que me fez voltar a ler (depois de tantos anos onde eu tinha abandonado o hábito).

It é um livro excelente. O estilo de escrita do Stephen King – meio divagador, recheado de detalhes – funciona como uma luva nesse livro. A narrativa, contada de forma desconexa, alterando entre presente e passado, também funciona maravilhosamente, aumentando a tensão das duas narrativas.

O final é um pouco… bizarro. Mas funciona, ainda mais dentro da mitologia maior do universo do Stephen King.

Um livro de horror perturbador e muito bem escrito. Recomendo bastante.

O Fim da Infância (Arthur C. Clarke)

Como nos últimos anos ciência tem sido minha vida – é a minha carreira, E minha carreira alternativa – naturalmente, conforme eu comecei a amadurecer a ideia de investir em uma carreira de escritor, o gênero natural de escolha foi ficção científica (apesar que, no momento, eu estou escrevendo histórias de super-heróis que pegam bem mais leve na parte científica).

Havia, porém, um problema: Eu nunca havia lido os clássicos da ficção científica. 2018 foi o ano onde eu comecei a remediar isso. Um dos melhores, sem dúvida, foi O Fim da Infância.

Esse é um livro de mistérios – qual é a forma verdadeira dos alienígenas que tomaram conta da Terra? Porque se escondem? Porque transformaram o planeta em um paraíso? Seus objetivos são benéficos ou escondem algo mais sinistro? Cada uma dessas camadas é construída de maneira magistral e cada revelação te deixa com o queixo caído. É um dos melhores livros que eu li e vale a menção aqui.

O Problema dos Três Corpos (Cixin Liu)

O Problema dos Três Corpos (e sua sequência, A Floresta Sombria) são os meus livros favoritos, ponto. Eu já suspeitei que seria um livro especial quando vi que o primeiro capítulo era uma crítica ferrenha à “Revolução Cultural” Chinesa – a implantação do regime do Partido Comunista Chinês.

É muito fácil pra mim, do conforto da minha residência brasileira, criticar o regimen chinês. Difícil é fazer isso sendo chinês e morando na China. Cixin Liu tem bolas de titânio.

O livro é fantástico pelos usos criativos que ele encontra para conceitos científicos. É difícil explicar sem dar spoilers, mas basta dizer que o autor explodiu minha cabeça com as ideias que ele apresentou. A sequência, Floresta Sombria, é menos inovadora na questão científica, mas é um livro ainda mais sólido. Essa é uma série que merecia mais reconhecimento do que o que possui aqui no Brasil. Leiam se puderem.

O Iluminado (Stephen King)

Eu fiquei namorando por muitos meses a edição em capa dura da Editora Suma.

Livros de capa dura são minha fraqueza. (E Pockets).

O Iluminado é uma lição em pacing. A história vai se construindo de uma maneira fenomenal. Acho que perdi um pouco da graça do livro por saber o que acontecia no final (afinal, quem não sabe o final de Iluminado hoje em dia? Here’s Jhonny etc). Ainda assim, a escalada sutil da insanidade de Jack Torrence é magnífica.

Eu, Robô (Isaac Asimov)

Ainda não li tudo que eu gostaria de Asimov, mas Eu, Robô rapidamente o colocou como um dos meus autores favoritos. Eu, Robô é um protesto do autor contra o medo irracional da ciência e da tecnologia. É uma declaração de amor ao progresso, de como ele serve para melhorar nossas vidas e enriquecer a exstência humana. Também é um compilado de histórias extremamente imaginativas – a quantidade de cenários criativos que Asimov consegue extrair das suas aparentemente limitadas Três Leis da Robótica é fascinante.

1984 (George Orwell)

Um livro assustador devido à sua atualidade. O futuro distópico descrito por Orwell nos anos 40 está mais vivo do que nunca no século XXI. Não tem muito o que eu dizer sobre 1984 que milhares de pessoas mais inteligentes que eu já não o tenham feito. Se você ainda não o fez, leia 1984.

Perdido em marte (Andy Weir)

Perdido em Marte (em tempo: que título bosta. “O Marciano” seria muito melhor) é um testamento de como um bom trabalho de pesquisa pode engrandecer uma obra. O livro é essencialmente um punhado de problemas científicos sendo resolvidos com mais conhecimento científico. É um dos livros mais precisos com relação à sua ciência e uma obra fenomenal. O protagonista é estupidamente engraçado e eu ri alto em diversos pontos do livro.

Merchants of Doubt (Naomi Oreskes)

Finalizando com dois livros de não-ficção. Infelizmente esse livro ainda não está disponível em português, até onde sei. É o livro que me fez começar a odiar profundamente o movimento negacionista climático (ou seja, pessoas que negam o aquecimento global ou o papel central do homem nesse processo, mesmo sendo um fato bem estabelecido dentro da ciência da climatologia). Esse livro expõe, de maneira didática e agradável de acompanhar, as taticas ardilosas e mentirosas desse movimento – como ele usa as mesmas táticas (e, em alguns casos, os mesmos indivíduos) que a indústria do cigarro usou no passado, quando tentou fraudar estudos e negar a relação entre fumo e câncer.

Faça um esforço e vá atrás desse livro se puder. Teu planeta depende disso.

Sapiens (Yuval Harari)

Muito me alegra ver um livro científico nos best-sellers internacionais, incluindo no Brasil. E não é pra menos – Sapiens é um dos livros mais bem-escritos que já vi. Ele narra magistralente boa parte da história humana e o papel de vários elementos nela (como religião, dinheiro e ciência). Recomendadíssimo.

Essas foram algumas das leituras que mais me impactaram no ano que se passou. E você? O que você leu esse ano? Me conte no Twitter, Facebook ou Instagram.